
Ricardo Reis, um heterônimo do babado !
Os heterônimos constituem uam personalidade. O criador do heterônimo é chamado de "ortónimo". O maior e mais famoso exemplo do gênero é poeta Fernando Pessoa, criador de mais de 200 heterônimos, entre seus três principais estão : Ricardo Reis, Álvaro Campus e Alberto Caeiro.
Ricardo Reis foi imaginado de relance pelo poeta em 1912, quando lhe veio à ideia de escrever uns poemas de índole pagã. Nasceu no Porto, estudou num colégio de jesuítas, formou-se em medicina e, por ser monárquico, expatriou-se espontâneamente desde 1919, indo viver no Brasil.
Sua poeisa se classifica no movimento literário o modernismo.
Na sua biografia não consta sua morte, no entanto Saramango faz uma intervenção sobre o assunto em seu livro " O ano da morte de Ricardo Reis", situando a morte de Reis em 1936.
Poesias de Ricardo Reis
* Acima da Verdade
Acima da verdade estão os deuses.
A nossa ciência é uma falhada cópia
A nossa ciência é uma falhada cópia
Da certeza com que eles
Sabem que há o Universo.
Tudo é tudo,
Tudo é tudo,
e mais alto estão os deuses,
Não pertence à ciência conhecê-los,
Mas adorar devemos
Seus vultos como às flores,
Porque visíveis à nossa alta vista,
São tão reais como reais as flores
E no seu calmo Olimpo
São outra Natureza.
* A Abelha
A abelha que, voando, freme sobre
A colorida flor, e pousa, quase
Sem diferença dela
À vista que não olha,
Não mudou desde Cecrops.
Só quem vive
Uma vida com ser que se conhece
Envelhece, distinto
Da espécie de que vive.
Ela é a mesma que outra que não ela.
Só nós — ó tempo, ó alma, ó vida, ó morte!
Ela é a mesma que outra que não ela.
Só nós — ó tempo, ó alma, ó vida, ó morte!
Mortalmente compramos
Ter mais vida que a vida.
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